Monday, October 17, 2011

Telhado de vidro

Quebraram-se os vidros do meu telhado... tentei reconstruí-lo aos poucos mas este é quebrado de novo. Volto a pegar na minha força e determinação, e trabalho novamente nele, mas eis que já é fraco.
Não aguenta nem um pássaro que ao de leve pouse nos seus vidros, voam com uma ligeira brisa e como se de uma tempestade se tratasse rodopiam no ar por momentos tentanto voltar ao lugar, mas caem, partem-se no chão...

E mais uma vez se pode tentar voltar a colar cada pedaço de vidro ao outro, voltar a colocá-los no telhado, mas estes já não querem. Cortam-nos as mãos quando pegamos neles, como forma de aviso, como pedido para que não os juntemos de novo. “Já estamos tão desfeitos, não entendes que já não seremos o mesmo colados do que aquilo que éramos dantes?”
E mesmo com as mãos em sangue teima-se em não esquecer, em não querer deitar fora tantos pedaços de vidros que pareciam tão fortes, que tanta protecção aparente nos faziam sentir... em que cada pedaço é uma história, um momento, um desejo, um plano. Cada pedaço é falsamente tudo o que inteiro acabou por nunca por ser!

É preciso demolir o resto da casa e começar de novo a construir. Fechar num cofre o que restou e atirá-lo ao fundo do mar. Para que saibamos que lá está, para que incentive a que o primeiro tijolo seja colocado, para que um novo telhado possa voltar a existir e por mais forte que seja a nossa porta, para que este nunca, mas nunca se feche...