Monday, October 7, 2013

O meu baú!


Estou sentada na minha praia simplesmente a deixar o tempo passar... não oiço nada, não vejo nada, não sinto nada.
Sinto-me de repente envolvida num imenso calor trazido pelos últimos raios de sol. Chega a ser um calor insuportável, uma luz tão intensa que me leva a fugir para me proteger. Escondo-me por trás de um véu, mas apenas a luz desaparece e o calor teima em ficar. Tiro o véu, mas volto rapidamente a esconder-me, ferida pela luz inesperada desse sol. Espreito mais uma vez, desta vez com mais cautela e apercebo-me que afinal não me fere nem me incomoda a sua presença. Está simplesmente ali a lembrar-me mais uma vez que sem ele não existe vida. Que sempre que eu olhe para o céu, vou-me lembrar que é por causa dele que eu respiro e vivo. Seja que dia for, esteja eu onde estiver, ele nunca vai desaparecer.

Estico a mão, agarro um raio de sol e guardo-o no meu baú...

O calor continua, mas o céu começa a esconder-se por detrás de umas nuvens cinzentas. Sem que me aperceba, a imensa luz do sol é substituída pelo início de uma noite sombria. Caem relâmpagos ao meu lado. Aparecem e desaparecem tão depressa, quando, onde e como querem, deixando-me num estado total de impotência perante este espectáculo de luz e escuridão. Vi agora um que se dividiu em três! Ah, como gosto de ver isto! E é tudo tão rápido que nem consigo pensar no que estou a sentir, mas sei que não sinto medo, apenas uma mistura de adrenalina e insegurança do que pode acontecer sempre que um cai perto de mim. Desses tento fugir, mas sei que são tão rápidos que por mais que fuja me podem na mesma atingir. Mas eu não me importo e continuo ali.
Outros proporcionam um maravilhoso espectáculo de luz, repleto de emoções espontâneas, que também rapidamente se desvanecem. Mas fica a lembrança, a lembrança de um espectáculo único que não esperava assistir. Decido também guardar um relâmpago, guardando no meu baú lembrança do que ele me faz sentir. 

Sente-se uma calma desconhecida e incerta no ar. O vento começa a ficar mais forte e quente como sinal de que algo vai chegar. O mar fica agitado, não consigo fixar as nuvens, movimentam-se cada vez mais depressa deixando-me ainda mais atenta e preocupada. Sei que algo de mal vai acontecer e mesmo assim insisto em querer ver. Sinto a terra a tremer, o chão de areia a mover-se por baixo de mim. Começo então a correr em busca de um porto seguro. Talvez agora seja tarde demais! Ouve-se um som ensurdecedor, olho para trás e quando dou por mim sou engolida por uma onda gigante de uma força incrível. Não sei quem sou nem porque estava ali, apenas penso em sobreviver... Luto contra o mar e consigo vir ao de cima, sinto o ar a entrar-me nos pulmões e o alivio de estar viva, mas algo parece puxar-me constantemente e volto a entrar no interior do mar. Perco os sentidos...

Acordo e vejo que continuo na minha praia, sentido um cansaço extremo de tanto lutar. Levanto-me para ver os destroços provocados pela força do mar. Procuro o meu baú e não o encontro... choro e grito de desespero até que por fim o vejo na areia. Tudo o que estava guardado está agora espalhado aleatoriamente na areia. Tento apanhar, juntar, organizar, mas tudo se tornou demasiado confuso. Grito e desespero novamente, fujo o mais rápido que consigo, até que acabo por me desequilibrar e cair. E é nesse momento que olho para o céu e vejo a lua. Há dias em que está maior e resplandecente, há outros em que parece nem existir. Por vezes esqueço-me da sua beleza e da paz que me traz.

 Sinto o seu abraço e descanso...

Saturday, November 5, 2011

はい、わかりました

Sim, entendi!
Entendi que nem sempre na vida temos o que queremos, nem sempre tudo é perfeito e maravilhoso... Entendi que por vezes lutamos por uma causa perdida, pensamos e sofremos pelo que não merece e esquecemo-nos de dar importância ao que realmente merece a nossa atenção.
Entendi também que sofrer faz parte de crescer, que a solidão faz parte de nós mesmos e que as lágrimas que correm no meu rosto um dia irão secar.
Entendi que o passado serve de consolo, de lição, de companheiro de vida para um futuro diferente, que apenas conta uma história como tantas outras.
Entendi que é hoje que tenho de agir, que é hoje que tenho de reconquistar o que perdi por não ter entendido antes a sua importância.
Sim, entendi!
E entendi finalmente que um só sorriso, puro e verdadeiro, pode mudar tudo o que eu ainda não entendo...

Monday, October 17, 2011

Telhado de vidro

Quebraram-se os vidros do meu telhado... tentei reconstruí-lo aos poucos mas este é quebrado de novo. Volto a pegar na minha força e determinação, e trabalho novamente nele, mas eis que já é fraco.
Não aguenta nem um pássaro que ao de leve pouse nos seus vidros, voam com uma ligeira brisa e como se de uma tempestade se tratasse rodopiam no ar por momentos tentanto voltar ao lugar, mas caem, partem-se no chão...

E mais uma vez se pode tentar voltar a colar cada pedaço de vidro ao outro, voltar a colocá-los no telhado, mas estes já não querem. Cortam-nos as mãos quando pegamos neles, como forma de aviso, como pedido para que não os juntemos de novo. “Já estamos tão desfeitos, não entendes que já não seremos o mesmo colados do que aquilo que éramos dantes?”
E mesmo com as mãos em sangue teima-se em não esquecer, em não querer deitar fora tantos pedaços de vidros que pareciam tão fortes, que tanta protecção aparente nos faziam sentir... em que cada pedaço é uma história, um momento, um desejo, um plano. Cada pedaço é falsamente tudo o que inteiro acabou por nunca por ser!

É preciso demolir o resto da casa e começar de novo a construir. Fechar num cofre o que restou e atirá-lo ao fundo do mar. Para que saibamos que lá está, para que incentive a que o primeiro tijolo seja colocado, para que um novo telhado possa voltar a existir e por mais forte que seja a nossa porta, para que este nunca, mas nunca se feche...

Sunday, January 23, 2011

Pisadelas de amor...

Está na hora meu amor, não tenhas medo de partir! Nunca estiveste, não estás e nunca estarás só...
Não tenhas medo e vai, vai para os braços da tua amada que te espera, que te chama e te pede que a reencontres nos seus braços...
Deixa-te ir, viveste tanto, deste (-nos) tanto e amaste (-nos) ainda mais.
Tenho a certeza que vais ficar bem melhor agora, apesar do meu amor por ti querer que ficasses sempre aqui.

Diz-lhe o quanto eu a amo, não te esqueças do quanto eu te amo a ti também, do quanto sempre admirei e amei o vosso amor tão puro e eterno.
Sabes, nunca me vou esquecer de uma história que me contaram passada há 58 anos, no dia em que deram o vosso primeiro beijo.
“Já estávamos apaixonados e dançávamos no baile lá da terra. O teu avô pisou-me e depois disse-me: Desculpa-me, são pisadelas de amor...”
E é sempre assim que vos vou recordar, duas pessoas sempre apaixonadas pela vida e pela família... que nos deram sempre e ensinaram a dar... pisadelas de amor.

Friday, April 30, 2010

Tempo…

O tempo não passa, o tempo corre entre nós todos os dias e diz-nos “Mais uma hora, mais um dia, mais um ano que passou desde que…”
Desde que te encontrei, desde que vim para aqui, desde que me zanguei, desde que deixei de ir, desde que fui feliz.
Desde que se fez tudo e nada se fez. Desde que tanto se sonhou, se construiu e se desmoronou... em tão pouco tempo.
E continua, a passar por mim, a acenar-me e a dizer “Mais um tanto tempo passou desde que... aqui escreveste”!

Sunday, August 23, 2009

Dia de Outono


Hoje acordei num dia de Outono. São muitas as flores caídas no meu jardim.
Apanhei todas e tentei voltar a pô-las nas suas árvores, nos seus canteiros. Não quero ficar sem estas flores.
Ali ficaram perfeitas, inertes, até que uma suave brisa veio e as espalhou de novo no meu jardim. Tenho agora um jardim cheio de flores sobre ele. Um jardim com cor, com cheiro. Cada flor é um momento, uma recordação que fica.
Decidi que não vou apanhá-las, o vento há-de tirar estas flores do meu jardim. Um dia de Primavera há-de chegar e novas flores hão-de florir e novas flores hão-de cair.

Saturday, August 22, 2009

Deeply in my heart

How can you be so afraid that I could hurt you?
Don’t you know that I’ll be hurting myself too?
How can you doubt about my feelings?
Am I not showing them enough to you?

I don’t know if it is your touch, your smell, your eyes...
But I miss you more than ever.
Maybe this is just love, a love that I thought I could never feel
Maybe it is just you with all your senses…

Even if you are so far away from me,
Even if we are not hand in hand,
You are always on my thoughts,
So deeply in my heart.

Monday, August 10, 2009

Angel II

Tic, tac, tic, tac…

Passa tempo, passa

que eu nem me apercebo que existes agora

Segundos, minutos, horas,

limitações inexistentes

quando estamos os dois.


O meu corpo envolto em teus braços

O meu cheiro a misturar-se com o teu.

São odores que se entranham na pele,

são olhares que penetram na alma.


Não se fala, ama-se

Não se vê, sente-se!

Tuesday, July 14, 2009

História

E eis que a história se repete. Tem sido assim ao longo dos anos, tem sido assim ao longo dos séculos. O Homem tem tendência a esquecer o que o passado lhe ensina. Mesmo que tenham sido momentos longínquos, mesmo que a paixão do momento nos cegue um pouco. O Homem tem tendência a não aprender, a não reflectir com os erros que os seus próximos cometeram no passado. Pior ainda, a não aprender com os seus próprios erros. E eis que a história se repete...

Mas talvez um dia, talvez hoje, a repetição de certos acontecimentos na vida faça com que as nossas defesas fiquem mais fortes, com que fiquemos mais seguros de nós próprios depois da tempestade.

Hoje posso chorar, posso gritar, posso tentar despejar toda a fúria que sinto por mais uma vez ter acreditado em palavras soltas, mais uma vez sem sentido.

Mas enquanto uns fingem que não sofrem, fingem que têm o ego bem lá no alto e vão enganando o coração de quem passa, eu fico ainda mais transparente e verdadeira.

Enquanto que o coração de uns vai ficando cada vez mais triste e vazio, o meu vai ficando cada vez forte, cada vez maior, e com muito mais espaço para encher e com muito, muito mais para dar.

Wednesday, July 8, 2009

Fechei-me!

Fechei-me como uma concha. Fechei-me e não me quero abrir. Fechei-me dentro de um cofre, cuja chave já deitei fora. Fechei-me e daqui não quero sair.

Mas sem falar em momentos ou em situações concretas, eis que a concha suavemente se abre. Sem se perceber o que se está a dizer, eis que sem querer estamos a falar de nós. E diz-se tanto sem nada dizer e ouve-se tanto sem nada se dizer.

Talvez o partilhar, seja uma condição obrigatória do ser humano. Mesmo que isso nos leve a perder defesas (o maior perigo), acabaremos inevitavelmente por fazê-lo. E isto não só porque partilhamos de nós mesmos, mas também porque recebemos dos outros.

Desde as suas experiências vividas, às suas tristezas, alegrias, aos seus conselhos, aos nossos conselhos para com eles. Do nada, vemo-nos embrulhados numa bola de neve de sentimentos e emoções. Do nada, um minuto transformou-se numa hora. O receio da partilha transforma-se agora numa vontade de querer mais.

E o tempo acabou. Arrumam-se as cadeiras em volta da mesa. As conchas voltam de novo a fechar-se. Até amanhã!

Tuesday, July 7, 2009

Hopeless emptiness

Mais do que sentir um vazio é ter-se a noção de que ele é desesperante.

O vazio que existe ou não dentre de cada um de nós pode adoptar muitas formas, permanecer tempos diferentes, criar laços de intimidade mais ou menos profundos.

Por vezes é apenas momentâneo, aparece como se viesse apenas dizer-nos que algo está mal, que agimos mal, que escolhemos o caminho errado, que algo ou alguém que não está presente nos faz falta.

Outras vezes é bem mais profundo do que isso. Insiste em permanecer do nosso lado. Em fazer-nos companhia no dia-a-dia como um indicador da frustração e insatisfação em que vivemos. Nesses casos, acho que é mais profundo e complexo que o vazio. Mas para ser mais simples de explicar, até para explicarmos a nós próprios dizemos apenas “sinto um vazio em mim”.

O que é então este “vazio”? Há escolhas, rumos que decidimos seguir que não são por escolha nossa, mas sim para agradar os outros ou porque as circunstâncias da vida assim escolheram. Acabamos por viver no meio de frustrações que nos fazem esquecer os sonhos que tínhamos, que nos fazem apagar os sonhos de criança inocente. Para quê escondermos quem somos? Para quê fecharmos num cofre o que queremos ser, o que queremos fazer?

Tal como ouvi num filme, muitas pessoas apercebem-se do vazio, mas não do desesperante. O que é isto afinal do desesperante vazio?

Talvez não seja mais do que, não só constatarmos deste vazio que faz parte da nossa vida, mas também fazermos algo para mudarmos. Isto é, corrermos atrás dos nossos sonhos, pormos um ponto final na angústia diária que tanto nos atormenta, que todos os dias reflectimos antes de dormir e passarmos a agir. Sim, agir. Deixarmos de ser inertes, de nos queixarmos, de nos entristecermos e passarmos a agir.

O vazio é realmente desesperante, atormenta-nos, asfixia aos poucos os nossos sonhos todos os dias. E muitas vezes só damos conta quando já estamos numa fase de desespero total. Numa fase em que apenas actos de extrema loucura justificam uma saída razoável desse vazio.

Porque não ser um pouco louco todos os dias antes de chegar a este extremo?!

Tuesday, June 23, 2009



"It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it. And this bag was, like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes. And that's the day I realized there was this entire life behind things, and... this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever. Video's a poor excuse, I know. But it helps me remember... and I need to remember... Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in."

Wednesday, June 17, 2009

Abismo

E quando tudo parece calmo, estável, vem de novo o abismo, ainda mais fundo do que aquele de onde se saí. Do que aquele cujo fundo já finalmente se via, mais um pouco e era apenas um buraco. Um dos buracos em que se tropeça acidentalmente na vida, mas que com algum cuidado é possível desviar-me.

Mas para além de não me desviar dos buracos que encontro, gosto de cavar buracos novos. Uns poucos fundos, chamar-se-ão talvez de complicações diárias menores (evitáveis claro). Outros buracos já são um pouco mais fundos, a esses chamo de masoquismo emocional, crise existencial. Também esses são possíveis de evitar, não esquecer que sou eu que os cavo.

E depois vem o abismo. Esse sim, apanha-me sem eu querer. Ainda consigo perceber o desequilíbrio inicial, mas rapidamente caio. Todos os meus movimentos são automatizados, perco o controlo sobre mim, sobre o que faço, e por vezes no que quero.

Tento subir, mas sou puxada vezes sem conta. Chego a subir, mas depois chego também a atirar-me sozinha. Como se tratasse de um vício, de uma droga que me faz afastar da realidade, que me permite refugiar no meu mundo, ser eu e não ter medo de dizer que nem sempre consigo subir.

Descobri que não vale a pena gritar, só eu tenho capacidade de sair deste poço sem fundo, de escalar e não voltar a cair…

Sunday, June 14, 2009

Dá-me só mais um beijo!

Dá-me só mais um beijo porque eu tenho saudades! Dá-me só mais um beijo antes que seja tarde demais. Antes das nossas feridas estarem saradas, antes dos nossos corações voltarem a ser roubados por outros.

Dá-me só mais um beijo para que o último não tenha sido afinal o último. Para que daqui a uns anos possamos dizer: “Lembras-te? Foi ali que nos beijámos a última vez.” E se calhar até nos vamos rir mais uma vez das nossas histórias. Porquê perguntaste-me tu? Não sei, mas por não saber é melhor não continuar a viver no dá-me só mais um beijo!

Sunday, June 7, 2009

Angel

Vagueio em mais uma noite

Sem nenhum sentido, sem nenhum destino

E no meio de uma confusão imensa

O meu olhar encontra o teu

 

E assim ficamos, petrificados no meio da multidão

com o olhar preso um no outro

O coração que não pára de acelerar

O corpo que não pára de aquecer

Pensamentos que não se conseguem transformar em palavras:

“Tu? És mesmo tu?”

“Sim, sou eu. Vem, não tenhas medo.”

 

Fecho os olhos e o resto do mundo desaparece

O cheiro da tua pele torna-se cada vez mais intenso

Tocas-me, sufocas-me nos teus braços

Sinto o calor dos teus lábios nos meus

Sinto o teu coração a bater depressa contra o meu

 

“Sabes quem sou, não sabes?”

“Sim, sei. Não tenho medo, sei que posso confiar em ti...”

Monday, June 1, 2009

Sonhos

Hoje tive a prova em como realmente compensa perseguir um sonho. Desisti de comodidades e facilidades em busca de um sonho. Poderia até parecer um pouco irresponsável na altura, mas o mau estar e angustia que se apoderavam cada vez mais de mim não me deixavam estar bem. Estava infeliz. Tinha ido pelo caminho errado e sabia-o. Não tinha perseguido o meu sonho, mas sim o de outros.

Despedi-me dessas comodidades, arrisquei-me a desiludir todos, a desiludir-me a mim própria, mas sentia que era o mais correcto a fazer. 

E assim foi, com todas as minhas forças iniciei um novo caminho que me pareceu o mais acertado para conseguir alcançar o meu sonho. Tive dúvidas, muitas. Tive medos, muitos mais.

Mas hoje, no dia da criança, os seres humanos mais sonhadores que conheço, o meu sonho chegou…

Vale a pena sonhar, vale a pena lutar pelos nossos sonhos!!

Saturday, May 30, 2009

Fortaleza Sentimental!

Disseste-me que gostavas de mim… Desculpa, mas não vou acreditar. Nunca mais vou voltar a acreditar em palavras de amor…

Descobri que são palavras sopradas ao vento, ditas sem sentido, ilusões que rapidamente desaparecem.

Sim, podes não acreditar, mas comigo é sempre assim… fazem-me promessas de amor eterno, dizem que sou a mulher mais perfeita que já conheceram, pedem-me que entregue o meu coração e depois… pegam nele, cortam-no aos bocados, deitam-no ao chão, pisam-no e ali o deixam, caído no chão como se fosse lixo, como se eu fosse lixo e não sentisse.

Já me chamaram de fortaleza sentimental! Não, não sou. Sou uma triste apaixonada que me entrego no amor. Sou fraca, obediente, submissa… Aposto que não esperavas ouvir isto.

De cada vez que me magoava, tinha sempre uma força incrível para me rejuvenescer, para voltar a acreditar no ser humano. Para voltar a fechar os olhos e fingir que não existem pessoas más. Porque não, não sei lidar com elas, prefiro pensar que não existem…

Mas agora já não consigo acreditar, o meu coração tem demasiadas feridas…

Pensei que, como sempre, as feridas fossem sarando com o tempo. Afinal são bem profundos os golpes que me foram dados no coração…

Não quero, não quero voltar a sentir. Quero ser uma fortaleza sentimental!

Friday, May 29, 2009

Saudades

Por volta desta hora, há três anos, estava em casa e recebi um telefonema do hospital. Disseram que queriam falar com a minha mãe por causa do teu estado. Mentiam-me e eu sabia. Perguntei o que se passava e voltaram a dizer-me que o médico queria falar com a minha mãe, nada mais que isso, mas que tinha de ser pessoalmente.

Tinhas acabado de partir, soube-o logo.

Desliguei o telefone, gritei o mais alto que pude que só podia ser mentira, que era imaginação minha achar que tinhas partido, que não podia ser possível. E chorei, chorei sem ter certeza, mas a verdade é que já a tinha.

Chorei até ouvir os choros desesperantes da minha mãe e do meu avô. Aí tive de ser o seu suporte, ser por momentos o que tu eras, a mãe de todos nós. Deixei-os chorar no meu ombro, mas não podia chorar com eles.

Desde esse dia que tenho medo que o telefone volte a tocar… Desde esse dia que vivo na saudade… 

Sunday, May 17, 2009

Sono

Sinto-me com sono. Sinto-me com sono durante o dia, quando todos estão acordados, quando todos estão em movimento. Uns trabalham, outros estudam, outros criam, outros passeiam e eu sinto-me com sono e afasto-me. Todos os medos, dúvidas, fantasmas, fazem da minha mente um campo de batalhas e deixam-me terrivelmente cansada.

Deito-me confortavelmente na minha cama e adormeço. E então sonho e então vivo. Afasto os meus medos, transformo-me num super herói e mato os meus fantasmas, conquisto o meu mundo por instantes.

E depois acordo. Rio-me. Rio-me sem parar por me sentir tão bem, rio por me lembrar do que acabei de ser, do que acabei de conquistar. A minha mente revitalizou-se, o meu corpo sente-se mais leve.

Acordo finalmente. Vou à janela, já é de noite e agora já não tenho mais sono. Fico a olhar a noite, a contemplar a sua calma vista da minha janela. No seu silêncio consigo ainda ouvir murmúrios trazidos por uma leve brisa que me pedem para ir com ela. Preparo-me para sair.

O silêncio é substituído por uma enorme confusão de pessoas, a empurrarem-se umas às outras para pedirem mais uma cerveja. Observo a diversidade que existe à minha volta. Alguns já estão caídos no chão com tanto que beberam, outros olham em seu redor tentando arranjar uma conquista, outros fumam drogas, sempre atentos à polícia. Há sempre as alegres festas de anos, os reencontros, os casais apaixonados, os solitários agarrados a um copo de cerveja, fingindo esperar por alguém.

O meu corpo e a minha disposição deixam-se levar nesta onda de sons e cores que ouço e vejo, mas a minha mente ainda está sóbria demais.

Decido então embriagar-me, entregar-me ao prazer de sonhar acordada. Esqueço as caras que estão à minha volta. Volto a rir-me, sou novamente um super herói a conquistar o meu mundo. Rio-me sem parar.

Acordo, já é dia e afasto-me.


(27/02/09) 

Sunday, April 26, 2009

Friday, April 24, 2009

Acho-te piada...

Não podia ter encontrado uma frase mais idiota para te dizer naquele momento. Posso, como o fiz, sempre argumentar sobre o múltiplo significado que as frases podem ter. Neste caso, se achar-te piada significar que gosto de ti (sem o admitir, claro) então sim, posso dizer que te acho piada.

Acho piada ao teu sorriso, à tua descontracção, acho piada quando estás na fila da cantina a olhar para mim e eu finjo que não percebo. Acho piada às tuas conversas, à tua forma directa e divertida de contar histórias, acho piada quando dizes aqueles nomes esquisitos das proteínas com tanto entusiasmo. Acho piada ao facto de “fingires” que és mau quando na verdade não és. Acho piada aos teus beijos, senti falta deles quando me fui embora ontem.

É verdade, és um estranho e já acho piada a imensas coisas em ti! Será isso bom? 

Saturday, April 18, 2009

I made a mistake

Olhaste bem fundo nos meus olhos

desvendaste os meus segredos

Acomodaste o meu corpo no teu abraço

e beijaste-me, amaste-me

 

Fizeste-me acreditar que te tinha

transformado num novo homem

Fizeste-me acreditar que juntos

éramos seres imortais

 

Mas tu desiludiste-me,

não passaste de um ser um humano

inseguro, cheio de dúvidas e medos

que te fizeram magoar-me

Mas tu desiludiste-me

 

Promessas falsas lançadas ao ar

juras de amor para sempre

perdidas no vento

Mas tu acabaste por morrer,

tu, o meu sentimento

e as lembranças que guardava de ti

tu morreste e eu

sim, eu sobrevivi!

Sunday, April 12, 2009

Lali Puna - Small Things

Sim significa amor

Há uns dias atrás li um texto do José Luís Peixoto, no seu blog que atentamente sigo (http://bravonline.abril.uol.com.br/blog/joseluispeixoto/), e que me fez lembrar bastante um texto que escrevi em tempos. Aprovei para dar um título ao texto e acrescentei uma última frase. Peço desde já desculpa ao JLP pelos dois semi copianços.



Estava em meados de Abril, e já há algum tempo que se falava do evento que iria decorrer em Maio, a bênção das fitas. Eu estava a tentar escapar-me a falar disso em casa, dizia sempre que ainda faltava muito tempo. Nunca gostei das tradições académicas e não estava a suportar a ideia de passar uma manhã inteira ao sol com uma capa preta super quente e com uma pasta de fitas à espera de serem abençoadas. A minha mãe insistia, mas como o meu pai felizmente também não gosta de tradições académicas, acabei por ganhar esta guerra.
A minha avó tinha sido operada mais uma vez ao coração no inicio do mês de Abril e foi nessa mesma semana, em que ela saiu do hospital, que fui com a minha mãe e a minha irmã passar a tarde lá a casa. Que sensação maravilhosa entrar naquela casa e encontrar a minha avó já sem os tubos e sem estar ligada às máquinas do hospital. Beijos, beijos e mais beijos. A minha avó perguntou então pelo traje que tinha de arranjar, que já não teria muito tempo. A minha mãe tira-o de um saco (em que me disse que estava um fato para o meu avô), eu nem quero acreditar no que estou a ver. Comecei logo a tentar argumentar com factos lógicos que aquilo não fazia sentido, já tinha sido conversado, para além do mais a minha avó estava doente, não podia estar a ter trabalho a arranjar o traje. Nesse momento a minha avó olhou para mim e pediu-me com um olhar meigo para que eu fosse à bênção das fitas. Disse-me que era importante para ela ver a única neta que tinha possibilidades para poder formar-se fazê-lo.
E assim foi, no dia 21 de Maio vesti-me a rigor e lá fui eu para a Alameda abençoar as minhas fitas. Tal como eu previra, estava um calor de cortar a respiração. Centenas de pessoas encheram a Alameda nessa manhã. Uns, tal como eu, tentavam desesperadamente encontrar os familiares e amigos (não havia rede nos telemóveis), outros estavam já agarrados a uma garrafa de cerveja a festejar o momento.
Encontrei-os a todos. A minha irmã, a minha mãe e o meu pai num lado da confusão e quando voltava para o meu lugar vejo os meus avós no outro lado. Mais precisamente, a minha avó estava confortavelmente sentada numa cadeira que tinha trazido de casa, num local que era só de passagem para os estudantes, mas ela lá conseguiu dar a volta ao segurança e pôr ali a sua cadeira. O meu avô estava de pé ao seu lado, como sempre a protegê-la. Ignorei aquelas regras académicas e tirei a capa e o casaco. Conversei durante a cerimónia com os meus amigos, aproveitámos para recordar alguns dos bons momentos que aqueles anos nos proporcionaram. Finalmente as fitas foram abençoadas. A cerimónia terminou. Voltámos para casa, não houve mais comemorações, não gosto de celebrar antes do tempo. A verdade é que ainda estava a fazer o estágio, só queria celebrar quando tivesse o diploma na mão.
Uma cerimónia que nada me dizia acabou por ser bastante importante. A minha irmã adorou toda aquela confusão em que eu era o centro das atenções, nos meus pais reflectia-se um orgulho imenso, nos meus avós ternura. Admiro principalmente o esforço que a minha avó fez para ali estar, para me ver e acompanhar em mais uma fase da minha vida. Não trocava por nada o brilho do sol que se espelhava nos seus olhos naquele dia.
Foi a última vez que estivemos juntas. No dia 29 de Maio a minha avó morreu. A minha avó ensinou-me algo que não vou esquecer, ensinou-me que às vezes sim significa amor.