Tuesday, July 14, 2009

História

E eis que a história se repete. Tem sido assim ao longo dos anos, tem sido assim ao longo dos séculos. O Homem tem tendência a esquecer o que o passado lhe ensina. Mesmo que tenham sido momentos longínquos, mesmo que a paixão do momento nos cegue um pouco. O Homem tem tendência a não aprender, a não reflectir com os erros que os seus próximos cometeram no passado. Pior ainda, a não aprender com os seus próprios erros. E eis que a história se repete...

Mas talvez um dia, talvez hoje, a repetição de certos acontecimentos na vida faça com que as nossas defesas fiquem mais fortes, com que fiquemos mais seguros de nós próprios depois da tempestade.

Hoje posso chorar, posso gritar, posso tentar despejar toda a fúria que sinto por mais uma vez ter acreditado em palavras soltas, mais uma vez sem sentido.

Mas enquanto uns fingem que não sofrem, fingem que têm o ego bem lá no alto e vão enganando o coração de quem passa, eu fico ainda mais transparente e verdadeira.

Enquanto que o coração de uns vai ficando cada vez mais triste e vazio, o meu vai ficando cada vez forte, cada vez maior, e com muito mais espaço para encher e com muito, muito mais para dar.

Wednesday, July 8, 2009

Fechei-me!

Fechei-me como uma concha. Fechei-me e não me quero abrir. Fechei-me dentro de um cofre, cuja chave já deitei fora. Fechei-me e daqui não quero sair.

Mas sem falar em momentos ou em situações concretas, eis que a concha suavemente se abre. Sem se perceber o que se está a dizer, eis que sem querer estamos a falar de nós. E diz-se tanto sem nada dizer e ouve-se tanto sem nada se dizer.

Talvez o partilhar, seja uma condição obrigatória do ser humano. Mesmo que isso nos leve a perder defesas (o maior perigo), acabaremos inevitavelmente por fazê-lo. E isto não só porque partilhamos de nós mesmos, mas também porque recebemos dos outros.

Desde as suas experiências vividas, às suas tristezas, alegrias, aos seus conselhos, aos nossos conselhos para com eles. Do nada, vemo-nos embrulhados numa bola de neve de sentimentos e emoções. Do nada, um minuto transformou-se numa hora. O receio da partilha transforma-se agora numa vontade de querer mais.

E o tempo acabou. Arrumam-se as cadeiras em volta da mesa. As conchas voltam de novo a fechar-se. Até amanhã!

Tuesday, July 7, 2009

Hopeless emptiness

Mais do que sentir um vazio é ter-se a noção de que ele é desesperante.

O vazio que existe ou não dentre de cada um de nós pode adoptar muitas formas, permanecer tempos diferentes, criar laços de intimidade mais ou menos profundos.

Por vezes é apenas momentâneo, aparece como se viesse apenas dizer-nos que algo está mal, que agimos mal, que escolhemos o caminho errado, que algo ou alguém que não está presente nos faz falta.

Outras vezes é bem mais profundo do que isso. Insiste em permanecer do nosso lado. Em fazer-nos companhia no dia-a-dia como um indicador da frustração e insatisfação em que vivemos. Nesses casos, acho que é mais profundo e complexo que o vazio. Mas para ser mais simples de explicar, até para explicarmos a nós próprios dizemos apenas “sinto um vazio em mim”.

O que é então este “vazio”? Há escolhas, rumos que decidimos seguir que não são por escolha nossa, mas sim para agradar os outros ou porque as circunstâncias da vida assim escolheram. Acabamos por viver no meio de frustrações que nos fazem esquecer os sonhos que tínhamos, que nos fazem apagar os sonhos de criança inocente. Para quê escondermos quem somos? Para quê fecharmos num cofre o que queremos ser, o que queremos fazer?

Tal como ouvi num filme, muitas pessoas apercebem-se do vazio, mas não do desesperante. O que é isto afinal do desesperante vazio?

Talvez não seja mais do que, não só constatarmos deste vazio que faz parte da nossa vida, mas também fazermos algo para mudarmos. Isto é, corrermos atrás dos nossos sonhos, pormos um ponto final na angústia diária que tanto nos atormenta, que todos os dias reflectimos antes de dormir e passarmos a agir. Sim, agir. Deixarmos de ser inertes, de nos queixarmos, de nos entristecermos e passarmos a agir.

O vazio é realmente desesperante, atormenta-nos, asfixia aos poucos os nossos sonhos todos os dias. E muitas vezes só damos conta quando já estamos numa fase de desespero total. Numa fase em que apenas actos de extrema loucura justificam uma saída razoável desse vazio.

Porque não ser um pouco louco todos os dias antes de chegar a este extremo?!