Sunday, April 26, 2009
Friday, April 24, 2009
Acho-te piada...
Não podia ter encontrado uma frase mais idiota para te dizer naquele momento. Posso, como o fiz, sempre argumentar sobre o múltiplo significado que as frases podem ter. Neste caso, se achar-te piada significar que gosto de ti (sem o admitir, claro) então sim, posso dizer que te acho piada.
Acho piada ao teu sorriso, à tua descontracção, acho piada quando estás na fila da cantina a olhar para mim e eu finjo que não percebo. Acho piada às tuas conversas, à tua forma directa e divertida de contar histórias, acho piada quando dizes aqueles nomes esquisitos das proteínas com tanto entusiasmo. Acho piada ao facto de “fingires” que és mau quando na verdade não és. Acho piada aos teus beijos, senti falta deles quando me fui embora ontem.
É verdade, és um estranho e já acho piada a imensas coisas em ti! Será isso bom?
Saturday, April 18, 2009
I made a mistake
Olhaste bem fundo nos meus olhos
desvendaste os meus segredos
Acomodaste o meu corpo no teu abraço
e beijaste-me, amaste-me
Fizeste-me acreditar que te tinha
transformado num novo homem
Fizeste-me acreditar que juntos
éramos seres imortais
Mas tu desiludiste-me,
não passaste de um ser um humano
inseguro, cheio de dúvidas e medos
que te fizeram magoar-me
Mas tu desiludiste-me
Promessas falsas lançadas ao ar
juras de amor para sempre
perdidas no vento
Mas tu acabaste por morrer,
tu, o meu sentimento
e as lembranças que guardava de ti
tu morreste e eu
sim, eu sobrevivi!
Sunday, April 12, 2009
Sim significa amor
Estava em meados de Abril, e já há algum tempo que se falava do evento que iria decorrer em Maio, a bênção das fitas. Eu estava a tentar escapar-me a falar disso em casa, dizia sempre que ainda faltava muito tempo. Nunca gostei das tradições académicas e não estava a suportar a ideia de passar uma manhã inteira ao sol com uma capa preta super quente e com uma pasta de fitas à espera de serem abençoadas. A minha mãe insistia, mas como o meu pai felizmente também não gosta de tradições académicas, acabei por ganhar esta guerra.
A minha avó tinha sido operada mais uma vez ao coração no inicio do mês de Abril e foi nessa mesma semana, em que ela saiu do hospital, que fui com a minha mãe e a minha irmã passar a tarde lá a casa. Que sensação maravilhosa entrar naquela casa e encontrar a minha avó já sem os tubos e sem estar ligada às máquinas do hospital. Beijos, beijos e mais beijos. A minha avó perguntou então pelo traje que tinha de arranjar, que já não teria muito tempo. A minha mãe tira-o de um saco (em que me disse que estava um fato para o meu avô), eu nem quero acreditar no que estou a ver. Comecei logo a tentar argumentar com factos lógicos que aquilo não fazia sentido, já tinha sido conversado, para além do mais a minha avó estava doente, não podia estar a ter trabalho a arranjar o traje. Nesse momento a minha avó olhou para mim e pediu-me com um olhar meigo para que eu fosse à bênção das fitas. Disse-me que era importante para ela ver a única neta que tinha possibilidades para poder formar-se fazê-lo.
E assim foi, no dia 21 de Maio vesti-me a rigor e lá fui eu para a Alameda abençoar as minhas fitas. Tal como eu previra, estava um calor de cortar a respiração. Centenas de pessoas encheram a Alameda nessa manhã. Uns, tal como eu, tentavam desesperadamente encontrar os familiares e amigos (não havia rede nos telemóveis), outros estavam já agarrados a uma garrafa de cerveja a festejar o momento.
Encontrei-os a todos. A minha irmã, a minha mãe e o meu pai num lado da confusão e quando voltava para o meu lugar vejo os meus avós no outro lado. Mais precisamente, a minha avó estava confortavelmente sentada numa cadeira que tinha trazido de casa, num local que era só de passagem para os estudantes, mas ela lá conseguiu dar a volta ao segurança e pôr ali a sua cadeira. O meu avô estava de pé ao seu lado, como sempre a protegê-la. Ignorei aquelas regras académicas e tirei a capa e o casaco. Conversei durante a cerimónia com os meus amigos, aproveitámos para recordar alguns dos bons momentos que aqueles anos nos proporcionaram. Finalmente as fitas foram abençoadas. A cerimónia terminou. Voltámos para casa, não houve mais comemorações, não gosto de celebrar antes do tempo. A verdade é que ainda estava a fazer o estágio, só queria celebrar quando tivesse o diploma na mão.
Uma cerimónia que nada me dizia acabou por ser bastante importante. A minha irmã adorou toda aquela confusão em que eu era o centro das atenções, nos meus pais reflectia-se um orgulho imenso, nos meus avós ternura. Admiro principalmente o esforço que a minha avó fez para ali estar, para me ver e acompanhar em mais uma fase da minha vida. Não trocava por nada o brilho do sol que se espelhava nos seus olhos naquele dia.
Foi a última vez que estivemos juntas. No dia 29 de Maio a minha avó morreu. A minha avó ensinou-me algo que não vou esquecer, ensinou-me que às vezes sim significa amor.