Fechei-me como uma concha. Fechei-me e não me quero abrir. Fechei-me dentro de um cofre, cuja chave já deitei fora. Fechei-me e daqui não quero sair.
Mas sem falar em momentos ou em situações concretas, eis que a concha suavemente se abre. Sem se perceber o que se está a dizer, eis que sem querer estamos a falar de nós. E diz-se tanto sem nada dizer e ouve-se tanto sem nada se dizer.
Talvez o partilhar, seja uma condição obrigatória do ser humano. Mesmo que isso nos leve a perder defesas (o maior perigo), acabaremos inevitavelmente por fazê-lo. E isto não só porque partilhamos de nós mesmos, mas também porque recebemos dos outros.
Desde as suas experiências vividas, às suas tristezas, alegrias, aos seus conselhos, aos nossos conselhos para com eles. Do nada, vemo-nos embrulhados numa bola de neve de sentimentos e emoções. Do nada, um minuto transformou-se numa hora. O receio da partilha transforma-se agora numa vontade de querer mais.
E o tempo acabou. Arrumam-se as cadeiras em volta da mesa. As conchas voltam de novo a fechar-se. Até amanhã!
A Concha
ReplyDeleteacho que todos temos um momento da nossa vida em que sentimos um forte desejo de sermos como um vulgar bivalve e queremos mais é que o mundo exploda e nos deixe em paz, mas sempre com a leve esperança de que os nossos mais fiéis amigos não nos esqueçam e venham, um(a) atrás do outro(a) bater na casca rija de nossa concha para nos levar de volta à Civilização...!!! E aí estamos contando o vai-e-vem de batidas para saber quantos amigos nos restam e quantos realmente se lembram de nós. às vezes mais vale não ouvir bater mais na casca e ficar ali para sempre à procura de outros da mesma espécie.