Friday, May 29, 2009

Saudades

Por volta desta hora, há três anos, estava em casa e recebi um telefonema do hospital. Disseram que queriam falar com a minha mãe por causa do teu estado. Mentiam-me e eu sabia. Perguntei o que se passava e voltaram a dizer-me que o médico queria falar com a minha mãe, nada mais que isso, mas que tinha de ser pessoalmente.

Tinhas acabado de partir, soube-o logo.

Desliguei o telefone, gritei o mais alto que pude que só podia ser mentira, que era imaginação minha achar que tinhas partido, que não podia ser possível. E chorei, chorei sem ter certeza, mas a verdade é que já a tinha.

Chorei até ouvir os choros desesperantes da minha mãe e do meu avô. Aí tive de ser o seu suporte, ser por momentos o que tu eras, a mãe de todos nós. Deixei-os chorar no meu ombro, mas não podia chorar com eles.

Desde esse dia que tenho medo que o telefone volte a tocar… Desde esse dia que vivo na saudade… 

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