Sinto-me com sono. Sinto-me com sono durante o dia, quando todos estão acordados, quando todos estão em movimento. Uns trabalham, outros estudam, outros criam, outros passeiam e eu sinto-me com sono e afasto-me. Todos os medos, dúvidas, fantasmas, fazem da minha mente um campo de batalhas e deixam-me terrivelmente cansada.
Deito-me confortavelmente na minha cama e adormeço. E então sonho e então vivo. Afasto os meus medos, transformo-me num super herói e mato os meus fantasmas, conquisto o meu mundo por instantes.
E depois acordo. Rio-me. Rio-me sem parar por me sentir tão bem, rio por me lembrar do que acabei de ser, do que acabei de conquistar. A minha mente revitalizou-se, o meu corpo sente-se mais leve.
Acordo finalmente. Vou à janela, já é de noite e agora já não tenho mais sono. Fico a olhar a noite, a contemplar a sua calma vista da minha janela. No seu silêncio consigo ainda ouvir murmúrios trazidos por uma leve brisa que me pedem para ir com ela. Preparo-me para sair.
O silêncio é substituído por uma enorme confusão de pessoas, a empurrarem-se umas às outras para pedirem mais uma cerveja. Observo a diversidade que existe à minha volta. Alguns já estão caídos no chão com tanto que beberam, outros olham em seu redor tentando arranjar uma conquista, outros fumam drogas, sempre atentos à polícia. Há sempre as alegres festas de anos, os reencontros, os casais apaixonados, os solitários agarrados a um copo de cerveja, fingindo esperar por alguém.
O meu corpo e a minha disposição deixam-se levar nesta onda de sons e cores que ouço e vejo, mas a minha mente ainda está sóbria demais.
Decido então embriagar-me, entregar-me ao prazer de sonhar acordada. Esqueço as caras que estão à minha volta. Volto a rir-me, sou novamente um super herói a conquistar o meu mundo. Rio-me sem parar.
Acordo, já é dia e afasto-me.
(27/02/09)
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