Saturday, May 30, 2009

Fortaleza Sentimental!

Disseste-me que gostavas de mim… Desculpa, mas não vou acreditar. Nunca mais vou voltar a acreditar em palavras de amor…

Descobri que são palavras sopradas ao vento, ditas sem sentido, ilusões que rapidamente desaparecem.

Sim, podes não acreditar, mas comigo é sempre assim… fazem-me promessas de amor eterno, dizem que sou a mulher mais perfeita que já conheceram, pedem-me que entregue o meu coração e depois… pegam nele, cortam-no aos bocados, deitam-no ao chão, pisam-no e ali o deixam, caído no chão como se fosse lixo, como se eu fosse lixo e não sentisse.

Já me chamaram de fortaleza sentimental! Não, não sou. Sou uma triste apaixonada que me entrego no amor. Sou fraca, obediente, submissa… Aposto que não esperavas ouvir isto.

De cada vez que me magoava, tinha sempre uma força incrível para me rejuvenescer, para voltar a acreditar no ser humano. Para voltar a fechar os olhos e fingir que não existem pessoas más. Porque não, não sei lidar com elas, prefiro pensar que não existem…

Mas agora já não consigo acreditar, o meu coração tem demasiadas feridas…

Pensei que, como sempre, as feridas fossem sarando com o tempo. Afinal são bem profundos os golpes que me foram dados no coração…

Não quero, não quero voltar a sentir. Quero ser uma fortaleza sentimental!

Friday, May 29, 2009

Saudades

Por volta desta hora, há três anos, estava em casa e recebi um telefonema do hospital. Disseram que queriam falar com a minha mãe por causa do teu estado. Mentiam-me e eu sabia. Perguntei o que se passava e voltaram a dizer-me que o médico queria falar com a minha mãe, nada mais que isso, mas que tinha de ser pessoalmente.

Tinhas acabado de partir, soube-o logo.

Desliguei o telefone, gritei o mais alto que pude que só podia ser mentira, que era imaginação minha achar que tinhas partido, que não podia ser possível. E chorei, chorei sem ter certeza, mas a verdade é que já a tinha.

Chorei até ouvir os choros desesperantes da minha mãe e do meu avô. Aí tive de ser o seu suporte, ser por momentos o que tu eras, a mãe de todos nós. Deixei-os chorar no meu ombro, mas não podia chorar com eles.

Desde esse dia que tenho medo que o telefone volte a tocar… Desde esse dia que vivo na saudade… 

Sunday, May 17, 2009

Sono

Sinto-me com sono. Sinto-me com sono durante o dia, quando todos estão acordados, quando todos estão em movimento. Uns trabalham, outros estudam, outros criam, outros passeiam e eu sinto-me com sono e afasto-me. Todos os medos, dúvidas, fantasmas, fazem da minha mente um campo de batalhas e deixam-me terrivelmente cansada.

Deito-me confortavelmente na minha cama e adormeço. E então sonho e então vivo. Afasto os meus medos, transformo-me num super herói e mato os meus fantasmas, conquisto o meu mundo por instantes.

E depois acordo. Rio-me. Rio-me sem parar por me sentir tão bem, rio por me lembrar do que acabei de ser, do que acabei de conquistar. A minha mente revitalizou-se, o meu corpo sente-se mais leve.

Acordo finalmente. Vou à janela, já é de noite e agora já não tenho mais sono. Fico a olhar a noite, a contemplar a sua calma vista da minha janela. No seu silêncio consigo ainda ouvir murmúrios trazidos por uma leve brisa que me pedem para ir com ela. Preparo-me para sair.

O silêncio é substituído por uma enorme confusão de pessoas, a empurrarem-se umas às outras para pedirem mais uma cerveja. Observo a diversidade que existe à minha volta. Alguns já estão caídos no chão com tanto que beberam, outros olham em seu redor tentando arranjar uma conquista, outros fumam drogas, sempre atentos à polícia. Há sempre as alegres festas de anos, os reencontros, os casais apaixonados, os solitários agarrados a um copo de cerveja, fingindo esperar por alguém.

O meu corpo e a minha disposição deixam-se levar nesta onda de sons e cores que ouço e vejo, mas a minha mente ainda está sóbria demais.

Decido então embriagar-me, entregar-me ao prazer de sonhar acordada. Esqueço as caras que estão à minha volta. Volto a rir-me, sou novamente um super herói a conquistar o meu mundo. Rio-me sem parar.

Acordo, já é dia e afasto-me.


(27/02/09) 

Sunday, April 26, 2009

Friday, April 24, 2009

Acho-te piada...

Não podia ter encontrado uma frase mais idiota para te dizer naquele momento. Posso, como o fiz, sempre argumentar sobre o múltiplo significado que as frases podem ter. Neste caso, se achar-te piada significar que gosto de ti (sem o admitir, claro) então sim, posso dizer que te acho piada.

Acho piada ao teu sorriso, à tua descontracção, acho piada quando estás na fila da cantina a olhar para mim e eu finjo que não percebo. Acho piada às tuas conversas, à tua forma directa e divertida de contar histórias, acho piada quando dizes aqueles nomes esquisitos das proteínas com tanto entusiasmo. Acho piada ao facto de “fingires” que és mau quando na verdade não és. Acho piada aos teus beijos, senti falta deles quando me fui embora ontem.

É verdade, és um estranho e já acho piada a imensas coisas em ti! Será isso bom? 

Saturday, April 18, 2009

I made a mistake

Olhaste bem fundo nos meus olhos

desvendaste os meus segredos

Acomodaste o meu corpo no teu abraço

e beijaste-me, amaste-me

 

Fizeste-me acreditar que te tinha

transformado num novo homem

Fizeste-me acreditar que juntos

éramos seres imortais

 

Mas tu desiludiste-me,

não passaste de um ser um humano

inseguro, cheio de dúvidas e medos

que te fizeram magoar-me

Mas tu desiludiste-me

 

Promessas falsas lançadas ao ar

juras de amor para sempre

perdidas no vento

Mas tu acabaste por morrer,

tu, o meu sentimento

e as lembranças que guardava de ti

tu morreste e eu

sim, eu sobrevivi!

Sunday, April 12, 2009

Lali Puna - Small Things

Sim significa amor

Há uns dias atrás li um texto do José Luís Peixoto, no seu blog que atentamente sigo (http://bravonline.abril.uol.com.br/blog/joseluispeixoto/), e que me fez lembrar bastante um texto que escrevi em tempos. Aprovei para dar um título ao texto e acrescentei uma última frase. Peço desde já desculpa ao JLP pelos dois semi copianços.



Estava em meados de Abril, e já há algum tempo que se falava do evento que iria decorrer em Maio, a bênção das fitas. Eu estava a tentar escapar-me a falar disso em casa, dizia sempre que ainda faltava muito tempo. Nunca gostei das tradições académicas e não estava a suportar a ideia de passar uma manhã inteira ao sol com uma capa preta super quente e com uma pasta de fitas à espera de serem abençoadas. A minha mãe insistia, mas como o meu pai felizmente também não gosta de tradições académicas, acabei por ganhar esta guerra.
A minha avó tinha sido operada mais uma vez ao coração no inicio do mês de Abril e foi nessa mesma semana, em que ela saiu do hospital, que fui com a minha mãe e a minha irmã passar a tarde lá a casa. Que sensação maravilhosa entrar naquela casa e encontrar a minha avó já sem os tubos e sem estar ligada às máquinas do hospital. Beijos, beijos e mais beijos. A minha avó perguntou então pelo traje que tinha de arranjar, que já não teria muito tempo. A minha mãe tira-o de um saco (em que me disse que estava um fato para o meu avô), eu nem quero acreditar no que estou a ver. Comecei logo a tentar argumentar com factos lógicos que aquilo não fazia sentido, já tinha sido conversado, para além do mais a minha avó estava doente, não podia estar a ter trabalho a arranjar o traje. Nesse momento a minha avó olhou para mim e pediu-me com um olhar meigo para que eu fosse à bênção das fitas. Disse-me que era importante para ela ver a única neta que tinha possibilidades para poder formar-se fazê-lo.
E assim foi, no dia 21 de Maio vesti-me a rigor e lá fui eu para a Alameda abençoar as minhas fitas. Tal como eu previra, estava um calor de cortar a respiração. Centenas de pessoas encheram a Alameda nessa manhã. Uns, tal como eu, tentavam desesperadamente encontrar os familiares e amigos (não havia rede nos telemóveis), outros estavam já agarrados a uma garrafa de cerveja a festejar o momento.
Encontrei-os a todos. A minha irmã, a minha mãe e o meu pai num lado da confusão e quando voltava para o meu lugar vejo os meus avós no outro lado. Mais precisamente, a minha avó estava confortavelmente sentada numa cadeira que tinha trazido de casa, num local que era só de passagem para os estudantes, mas ela lá conseguiu dar a volta ao segurança e pôr ali a sua cadeira. O meu avô estava de pé ao seu lado, como sempre a protegê-la. Ignorei aquelas regras académicas e tirei a capa e o casaco. Conversei durante a cerimónia com os meus amigos, aproveitámos para recordar alguns dos bons momentos que aqueles anos nos proporcionaram. Finalmente as fitas foram abençoadas. A cerimónia terminou. Voltámos para casa, não houve mais comemorações, não gosto de celebrar antes do tempo. A verdade é que ainda estava a fazer o estágio, só queria celebrar quando tivesse o diploma na mão.
Uma cerimónia que nada me dizia acabou por ser bastante importante. A minha irmã adorou toda aquela confusão em que eu era o centro das atenções, nos meus pais reflectia-se um orgulho imenso, nos meus avós ternura. Admiro principalmente o esforço que a minha avó fez para ali estar, para me ver e acompanhar em mais uma fase da minha vida. Não trocava por nada o brilho do sol que se espelhava nos seus olhos naquele dia.
Foi a última vez que estivemos juntas. No dia 29 de Maio a minha avó morreu. A minha avó ensinou-me algo que não vou esquecer, ensinou-me que às vezes sim significa amor.